terça-feira, 20 de abril de 2010

RALLENTANDO

Eu li esse texto no site A menina do Didentro, mas parece que não está mais lá. Eu gostei e postei para as pessoas que gostam coisas bonitas.

Rallentando
Ela vestia a camisolinha branca do avesso, com babados no final e sentia-se feliz. Ela gostava de pensar na camisola do avesso, como se a camisola estivesse do lado certo e ela é que estivesse virada. A camisola a tinha vestido do lado contrário, a camisola acordava e vestia a menina e as costuras ficavam à vista. E então camisola branca de babados e menina, do avesso, levantavam-se da cama preguiçosa e iam sonâmbulas passear pelo jardim. Ela andava pelo meio do roseiral todo pingado de sereno. Era ainda manhãzinha e no curral, bem longe, ela ouvia a vaca mugir. Vez em quando ela calçava as botas e ia ajudar a ordenhar, para ter o gosto de ver o leite levantando espuma dentro do copo. O leite muito branco. Ela apertava as tetas quentes da vaca assim, assim, tinham lhe dito que um dia ela cresceria, não seria mais menina e os homens olhariam para ela e lamberiam os beiços e quereriam por-lhe as mãos como agora ela colocava as dela, tão pequenas, nas tetas da vaca, quentinhas. Eles quererão pegar nas suas tetas, eles lhe tinham avisado. Ela olhou para baixo, puxou um pouco o tecido da camisola e verificou: não, por enquanto não.


Por enquanto, ela tomaria o leite espumando branco dentro do copo de vidro e quando chegasse ao fim, olharia para o mundo através dessa sua luneta infantil e lamberia o bigode branco pra dentro da boca. Ela via o mundo e o mundo era feito de rimas e brinquedos de roda. Talvez quando ela crescesse, ela deixaria de acreditar na luneta e nas estrofes e deixaria de querer compreender o mundo desde o fundo de um copo de vidro. E compreenderia tudo melhor, ela era míope da realidade e não sabia, ela não conhecia Miguilim. Por agora, ela seguraria nas tetas rosas e sentiria morno, morno debaixo do cobertor da cama preguiçosa.

Ela andava pelo meio do roseiral. Ela cheirava as flores, cutucava-lhes os miolos com as pontinhas dos dedos, como se fossem eles a machucá-las, não as rosas a eles. Ela sentia o perfume e aspirava mais, ela aspirava o rapé que morava dentro das rosas. Fazia manhãzinha bem cedo, manhãzinha friinha com nuvens que desciam até o roseiral para fingir de céu que as mãos da menina alcançavam e levavam à boca, para provar o gosto. Depois ela lambia os beiços de novo e limpava o bigodinho branco de nuvem. Era nublado no quintal da avó, era nuvem espalhada pelo chão, eram terra e plantas e homens e silêncio molhados de sereno. Ela andava de braços abertos, correndo o perigo dos espinhos de um lado e do outro, nas palmas das mãos. E deitava-se na terra serena orvalhada, com a camisola branca. Rolava um pouquinho por cima do estrume que cobria a cama das roseiras, a coberta morna das rosas, ela brincava de flor, de jardim. De vez em quando, chovia. Chovia fininho pra não atrapalhar o brinquedo, e ela ficava quieta sentindo frio, depois secava no sol. Ela ficava quieta, sem mexer nem um tantico e depois levantava e corria. Ela dançava brinquedos de roda no roseiral.

De vez em quando, ela acordava assustada. Puxava de novo a camisola, ainda do avesso, olhava para baixo, para ali, acima da barriga, e olhava: não há mais tempo para o por enquanto. Ela sentia a paina de dentro do travesseiro, macia e branca, escondida na fronha, tirava debaixo dele um vidrinho de perfume. Girava a rosca, com cuidado para não derramar. Segurava o frasco perto do nariz e aspirava. Ela tinha guardado um pouco da chuva da infäncia. Ela cheirava a saudade guardada no frasco. Ela lembrava, lembrava friinho. E a neta entrava no quarto e dizia, baixinho, com voz de medo de acordar cedinho: Vó, tô indo brincar no quintal. Ela lembrava quentinho, debaixo do cobertor.



Amenina do Didentro atual é:
http://meninadodidentro.blogspot.com/search?updated-max=2010-01-26T09%3A56%3A00-05%3A00

quarta-feira, 17 de março de 2010

Site bom para aprender

Um site muito bom para quem quer aprender. Um exemplo é esta dica sobre o Excel:


Copiando e colando no Excel >

Excel permite copiar e colar células, conjuntos de células, linhas, colunas ou planilhas inteiras. Para isso, seleciona-se o que se deseja copiar, efetua-se a cópia com Ctrl+C (ou Ctrl+Ins), move-se o cursor para o destino (na mesma ou em outra planilha ou pasta) e cola-se com Ctrl+V ou Shift+Ins. Excel fornece diferentes formas de selecionar e permite escolher o que copiar. Quanto à seleção: para selecionar uma célula, clique sobre ela. Um trecho retangular, clique sobre um dos cantos do retângulo e arraste até o canto oposto. Uma linha, clique sobre o número da linha na borda esquerda da planilha. Uma coluna, clique sobre a letra da coluna na borda superior da planilha. E, finalmente, toda a planilha: clique sobre o pequeno retângulo vazio no canto superior esquerdo, onde se encontram a coluna de números das linhas com a linha de letras das colunas. Feita a seleção, escolha o que colar. Para colar uma cópia exata da seleção, basta clicar no destino (por exemplo: se selecionou uma linha clicando no número da linha na origem, vá até a linha destino e clique sobre seu número) e colar. Mas se, após escolher o local de destino, você selecionar a entrada “Colar especial” do menu “Editar”, pode escolher colar desde “Tudo” até: apenas fórmulas, valores (resultados dos cálculos, mas sem as fórmulas), formatos, comentários e outras opções. Além disso, pode efetuar operações como adição, subtração, multiplicação e divisão com valores eventualmente existentes no destino. Há ainda a possibilidade de copiar planilhas inteiras, com fórmulas, valores, formatos, cabeçalho, rodapé, enfim, tudo, para outro ponto da mesma pasta, outra pasta ou uma nova pasta. Para isso, clique com o botão direito na aba com o nome da planilha situada na base da planilha e selecione a entrada “Mover ou copiar”. Na caixa “Para pasta” da janela “Mover ou copiar”, escolha a pasta destino (entre as pastas abertas) ou “nova pasta” para criar nova pasta destino. Na caixa “Antes da planilha”, escolha o local onde inserir a planilha selecionada na pasta destino. E, finalmente, marque a caixa “Criar uma cópia” (se esquecer, a planilha será movida, não copiada) e clique OK. Uma função tão útil quanto desconhecida.

B.Piropo

Visite Sítio do B. Piropo
http://leolando.blogspot.com/search/label/c%C3%A9lula

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Aos menos atentos

Senhor, amigo, irmão, desculpe-me não ficar todo tempo a sua disposição. É que eu tenho uma vida e coisas para fazer que, embora, num contexto maior, possam não parecer importantes, na minha realidade e para mim é sim tão importante quanto tudo no universo e, ainda, para mim têm prioridade sobre as coisas “importantes e significativas do senhor, do amigo, do irmão.

Portanto, um pouco de atenção às pequenas coisas e um tanto de bom senso pode ser o diferencial para a harmonia dos nossos universos.

sábado, 5 de dezembro de 2009

suzana

SUZANA


Eu não ia escrever nada sobre a Suzana, mas às vezes brontam palavras em minha alma que preciso escrevê-las, senão é como sentir sede e não beber água.

Eu não sei quando a Suzana nasceu, mas ela morreu no dia 4 dezembro de 2009. Não sei precisar a hora, o que não importa. Ela foi embora, mas deixou com nós todos uma alegria eterna que escorre pelo nosso rosto quando lembramos dela. Certamente ela já acordou, e está correndo e seus latidos ecoando nos dias ensolarados de outra consciência.

Seja bem ida Suzana. Nós te liberamos de braços abertos.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

BEATRIZ

Aproximadamente dez horas da noite de 18 de novembro de 2009 nasceu Beatriz. Após algumas horas e vários telefonemas surgiu a primeira foto e a inevitável pergunta "Com quem ela se parece"?. As tradicionais respostas "com a mãe", "com o pai", "tem um pouco de cada um', .........!
Na verdade ela se parece com pai e a mãe, mas eu vejo na sua aura, também, um pouco de todos nós. Nós que convivemos com ela desde a sua idealização na consciência do Rogério e da Rosana.
Tomara que a sua vida tenha uma boa direção.
Seja bem-vinda Beatriz.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

PLANTÃO DE PARTO

Estamos aqui, às 15h21min, eu, Rogério, Édna, Roberta e a grávida Rosama, esperando o momento certo para irmos ao hospital.
A esperada Beatriz, às vezes sente-se impulsionada por contrações ainda leves, mas que podem aumentar a qualquer momento.
Agora são 15h32min, Rosana está na sala com o Rogério a Édna e a Roberta, eu estou aqui vendo algumas informações na internet. Continuamos aguardando.
Vocês notaram como em certos momentos da vida até as dores são esperadas com a ansiedade das coisas bem vindas.
Aproximadamente 16h, o Reginaldo chegou aqui, conversou um pouco, tomou um cafezinho, conversou mais um pouco, chamou o Michel, seu companheiro de trabalho, que estava com ele, e saiu. Daqui ouço dizerem lá na sala que as contrações aumentaram, logo, vou ter que parar por aqui.
Até mais.
Jorge Luiz