terça-feira, 11 de novembro de 2008

Alphosos de Guimarães

Então, Édna, eu estava lendo este poema do Alphonsos de Guimarães e achei interessante como ele foi construído. Da a impressão que o poeta fez como se faz, por exemplo, uma parede. Preparou a base, nivelou, alinhou, aprumou e deu um acabamento eternamente brilhante, mostrando que pode haver um tanto de emoção na técnica.

Ismália

Quando Ismália enlouqueceu
Pó-se na torre a sonhar
Viu uma lua no céu
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu
Na torre pó-se a cantar
Estava perto do céu
Estava longe do mar

E como um anjo pendeu
as asas para voar
Queria a lua do céu
Queria a lua do mar

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu
Seu corpo desceu ao mar...

Alphonsos de Guimarães (1870 - 1921)
¤ Ouro Preto - MG
† Mariana - MG
Poeta Simbolista
Simbolismo: Movimento litrário (1893 - 1902)
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